quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Gute Nacht!
Me pego hoje com a pena em punho. Com pena de apunhalar o punho de pena.

Ao folhar a revista Rolling Stones nº 20, do corrente mês, minha vó indagaria, num ar de cigarros "pra onde esse mundo vai?", observando a saraivada de fotos estilosas, estampadas na celulose com cheiro de tinta fresca.

Desesperadamente, as pessoas querem aparecer, parecer mais "cool", rebelde, donas de si mesmas, exalando a fragrância da utopia de "ser diferente". Diferente(?) de quem?

Gente que desdenha uma banda que conheceu/achou sensacional 5 minutos antes da fama, só porque ela atingiu a fama, não deve ser levada a sério.

Lá vai o mundo, as pessoas, os seres hu(manos), rumo ao desconhecido, ao desconhecimento, na contra-mão da sua própria verdade, a sua essência, o seu plano terrestre.

Se, ser diferente(?) for vestir um uniforme, a roupa igual a que veste outras pessoas de roupa, me pego a admirar a minha vó, car-pin(an)do a horta dos fundos de casa, trajando uma saia de lã marrom, alpargatas campeiras, camiseta do mickey e rádio velho ligado em uma AM qualquer.

Ela sim é diferente!

Vielen Danke!
Foto: clássico freqüentador do Porão do Beco.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

No olho do Furacão
Longe da grande cobertura dos veículos de comunicação em massa, Itajaí vive um drama abaixo d'água, ilustrado pela moradora de Itajaí, minha amiga Heloize Morgado Cordeiro.

1º e-mail
Subject: Alagados?!
Date: Mon, 24 Nov 2008 11:11:57 -0200
From: ‘Igor Almeida’
To: 'Heloize'


E daí?
Tudo bem?
Como está?
Santa Catarina é notícia em todos os telejornais.

Beijo.

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2º e-mail
De: ‘Heloize’
Enviada em: segunda-feira, 24 de novembro de 2008 11:48
Para: Igor Almeida
Assunto: RE: Alagados?!


Oi Igor, como estás?

Só voltou a energia agora aqui em casa.

Meu bairro foi O ÚNICO que não alagou, não tem uma gota d'água aqui. Nada.

a única saída que temos é por aqui, as outras saídas da cidade estão bloqueadas.

Tá todo mundo vindo pra cá pro bairro, tá um tristeza, um desepero que não tens noção...

Sabe qual é o maior problema aqui? Não é nem a chuva, é a água do rio que vem de outros. Aqui no Vale do Itajaí, temos dois rios principais - Itajaí Mirim e Itajaí-Açu - que corta todo o vale (Blumenau, brusque, Rio do Sul, Luiz Alves, Pomerode, etc) e desenboca no mar aqui em Itajaí. Ou seja, o problema não é a chuva, é a água que escoa de todos esses municípios e vem parar aqui. Com a maré alta então, só piora tudo.

E a maioria dos bairros daqui são localizados nas margens do rio Itajaí mirim (que é o mais perigoso, o que tá recebendo a água de todo o vale).

Tô ilhada aqui, não tenho pra onde ir. Ontem a noite falaram que só iam se safar os bairros Fazenda (o meu), Brava, Centro e Vila Operária, porém, com a maré alta e o rio enchendo cada vez mais, só o meu bairro e a Brava que estão a salvo. O resto, tá embaixo d'água.

Tô vendo o jornal agora, tava ouvindo a noite toda no meu radinho de pilha e dizia que ainda tem gente ilhada nos bairros, esperando resgate com lancha (só com motor de popa chega lá, por causa da correnteza) no telhado das casas... Uma menina de 7 anos morreu de ataque cardíaco (!) hoje no telhado de casa esperando resgate, porém aqui não tivemos vítimas soterradas. A defesa civil não tem equipamento nenhum, quem tá fazendo os resgates são voluntários que tem lancha e que estavam sebdo convocados pela TV/Rádio que tá de plantão atendendo a população desde sábado de manhã.

Certeza absoluta que tá muito pior que as famosas enchentes de 83 e 84.

Tô assustada.

Beijo, obrigada pelo e-mail.

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3º e-mail
De: Igor Almeida
Enviada em: terça-feira, 25 de novembro de 2008 10:05
Para: 'Heloize Morgado Cordeiro'
Assunto: RES: RES: Alagados?!

Que horror. Horror mesmo. É só o que dá nos telejornais.
Que bom que ai tu ta num lugar privilegiado.

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4º e-mail
De: ‘Heloize’
Enviada em: terça-feira, 25 de novembro de 2008 10:23
Para: Igor Almeida
Assunto: RE: RES: RES: Alagados?!

Graças a Deus Igor. Até parece brincadeira isso, o meu bairro e a Praia Brava (ali onde é caminho para o JB) foram os únicos que se safaram... Tenho que agradecer de joelhos...

Como aqui perto de casa funciona o corpo de bombeiros da Fazenda, todas a operações estão concentradas aqui. Tem um bocado de jipes, caminhões, helicópteros, soldados da Marinha, além de centenas de voluntários... Os helicópteros voam baixo aqui. Hoje por exemplo, acordei com o barulho de um deles. E agora tô escutando um passar mais ao longe...

Supermercados e padarias com fila para entrar, porque todo mundo tá concentrado aqui, ou alojados em casas de parentes ou vindos de outros bairros, enfrentando ruas alagadas onde aiinda se passa carro, moto e bicicleta para comprar pão.

Ontem na fila, todo mundo pedia 20 pães ou mais, a maioria com não sei quantos parentes em casa. Ficamos 20 minutos na fila, esperando novas fornadas, porque além de atender os clientes, as padarias estão fazendo fornadas para abastecer os colégios e igrejas com os desabrigados e para abastecer quem ainda tá no telhado das casas (ou no segundo piso das casas). Alimentos e água estão sendo levados para essas pessoas por lanchas DE VOLUNTÁRIOS.

Agora, por exemplo, vou com minha mãe até o supermercado (que abriu só hoje porque ontem estava limpando a lama de sexta e sábado) para TENTAR comprar o que falta. Estamos economizando água da caixa e usando para lavar louça água da chuva que recolhemos, pois não há previão de volta do abastecimento de água, mas graças a Deus a energia voltou. Depois de conto com mais detalhes sobre a pane dos celulares ontem a noite/madrugada. Ah, depois te conto mais também como foi a tarde ontem, pois fui no colégio aqui perto de casa ajudar a galera que chegava.

Fiquei sabendo ontem lá no colégio onde tava dando um help, que tá vindo levas de desabrigados DE OUTRAS CIDADES DO VALE para cá. São cidades bem menores que a nossa (Luiz Alves e Ilhota) que precisam de ajuda da defesa civil e dos bombeiros de outras cidades.

Desculpa o texto longo, de novo! eheheheh

Beijo.

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5º e-mail
De: Igor Almeida
Enviada em: terça-feira, 25 de novembro de 2008 10:38
Para: 'Heloize Morgado Cordeiro'
Assunto: RES: RES: RES: Alagados?!


Poxa. E poe agradecer de joelhos.
Tava dando até boletim ao vivo direto de Blumenau, no noticiário do Rio Grande do Sul.

Parece aqueles desastres que o cara assiste pela TV só... tipo, furacao nos EUA, China, etc.

Mas tudo ilhado mesmo? A Chuva parou?

Caramba. Isso não existe. Diga que não está acontecendo, please.

Poxa. imagina, sem energia elétrica durante dias?! Ainda bem que voltou.

Ta. Então, tu não ta trabalhando? Ta tudo mundo de voluntário? Que massa isso. E ainda dizem que o Brasil não vai pra frente.

Caramba. E quantos habitantes tem Itajaí? Será que cabe todo mundo ai? Tem ginásio grande? Etc?

Sem problemas. Fale/escreva o quanto quiser.
To aqui torcendo pra que abra o tempo, mas parece que vai chover mais né?

Grande Beijo, qualquer coisa, conta com a ajuda mental daqui. É a forma que tenho pra ajudar, pelo menos agora agora.

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6º e-mail
De: Heloize Morgado Cordeiro
Enviada em: terça-feira, 25 de novembro de 2008 12:31
Para: Igor Almeida
Assunto: RE: RES: RES: RES: Alagados?!


Tudo ilhado sim. Estamos isolados.

A imprensa só dá notícias de Blumenau, Joinville e Floripa. Itajaí tem pouco espaço, se bobear nenhum.

Aqui a chuva parou, mas dizem que em Blumenau e Brusque continua chovendo, ou seja, é a mesma coisa que se chovesse aqui...

No meu bairro a energia voltou, mas nos outros bairros daqui foi tudo cortado. Fora que, em outras cidades não tem energia elétrica também. Por isso deu uma pane da telefonia móvel ontem. Olha a situação: aqui em itajaí tem mais de 1000 pessoas ainda nos telhados de casas e/ou ilhadas dentro de casa; não tem energia elétrica, logo não tem telefone. Qual a saída? Celular. São tantos celulares funcionando ao mesmo tempo aqui, sem contar em outras cidades que estão na mesma situação, que acabou congestionou tudo. Ontem a tarde a Vivo caiu e a noite foi a Claro e a BrT que entraram em pane. Até a internet ontem a noite caiu.

Não fui trabalhar porque onde trabalho tá completamene cheio. Diferente da enchente de 83 e 84, o centro da cidade tá todo tomado. Acho que 90% da cidade tá sem poder trabalhar: ou tão salvando suas casas, ou porque não tem como chegar no trabalho.

Voluntário tem, até demais. Tudo tá sendo feito por voluntários e pelas forças armadas de outras cidades e estados. Defesa civil aqui não existe (são só 15 funcionários). Itajaí tem cerca de 180 mil habitantes, 90% da cidade embaixo d'água... Meu Deus, ainda não acredito que tudo isso tá acontecendo! Não caiu a ficha ainda, sério mesmo.

Acabei de chegar do supermercado, onde ficamos meia hora na fila só para entrar. estão todos estocando coisas em casa e também comprando comida para mandar para as vítimas. Conversamos com 3 policiais que estavam lá fazendo a segurança e eles nos contaram que estão saqueando com botes casas abandonadas, saqueando caminhões de doações e fora o que tá rolando no presídio: os presos se aproveitaram da situação e começaram uma rebelião, cavaram buracos para fugir e, em vez dos PMs estarem na rua ajudando, precisam cuidar daqueles malditos vagabundos. Ontem aqui em casa levei esporro ao comentar que o presídio deveria encher de água até o teto, pois estavam noticiando que lá os presos estavam sofrendo com a falta de água e com a cheia do lugar. Viu como eu tava certa? Aqueles filhos da puta deveriam ter morrido todos afogados...

Ou seja, nunca as palavras CALAMIDADE PÚBLICA foram tão bem aplicadas.

Pensa em uma cidade no caos completo. É assim que estamos.

Obrigada Igor pela ajuda. Essa é a ajuda que vale muito. Aliás, obrigada a todo o Rio Grande do Sul, que tá ajudando a gente demais (assim como SP, MG e PR). É nessas horas que prcebemos que o Sul é um lugar ímpar: quando essa tragédia toda começou, os primeiros a nos oferecer ajuda foram vocês aí. E não demoraram a fazê-lo, foram os "primeiríssimos". Obrigada mesmo.

Beijo enorme


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Links relacionados:
*
Terra.

Itajaí/SC












Foto: Caroline Catasblancas Agnoletto/vc repórter

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Celulites, Estrias e Gorduras localizadas

Gute Nacht!
Me pego hoje com a pena em punho. Com pena de apunhalar o punho de pena.

Ao folhar a revista Rolling Stones nº 20, do corrente mês, minha vó indagaria, num ar de cigarros "pra onde esse mundo vai?", observando a saraivada de fotos estilosas, estampadas na celulose com cheiro de tinta fresca.

Desesperadamente, as pessoas querem aparecer, parecer mais "cool", rebelde, donas de si mesmas, exalando a fragrância da utopia de "ser diferente". Diferente(?) de quem?

Gente que desdenha uma banda que conheceu/achou sensacional 5 minutos antes da fama, só porque ela atingiu a fama, não deve ser levada a sério.

Lá vai o mundo, as pessoas, os seres hu(manos), rumo ao desconhecido, ao desconhecimento, na contra-mão da sua própria verdade, a sua essência, o seu plano terrestre.

Se, ser diferente(?) for vestir um uniforme, a roupa igual a que veste outras pessoas de roupa, me pego a admirar a minha vó, car-pin(an)do a horta dos fundos de casa, trajando uma saia de lã marrom, alpargatas campeiras, camiseta do mickey e rádio velho ligado em uma AM qualquer.

Ela sim é diferente!

Vielen Danke!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Celulites, Estrias e Gorduras localizadas

Atchin!
Zuleica re-visitou o balaio do Brechó Alcatéia.
Pegou o paletó, pensou qual seria a graça do falecido, agora fantasma, e que poderia ser ele possuindo lentamente os seus neurônios, ou a renite, ou pó, ou fogareiro... atchin!
Claustrofobia, agora Zuleica no segundo andar do Brechó Alcatéia. Feito de madeira, o segundo andar, um metro da parede até o buraco do central, que lembra um teatro, um museu, piscina, uma lousa, ou a renite, ou fogareiro, ou pó... ela voa do segundo ao primeiro andar, Zuleica com asas de Anjo... atchin!
A Primeira Corporação de Ácaros da Divisão Sul do Brechó Alcatéia, em formação, marchando, voando, tomando conta do ar, Zuleica, ou a renite, ou pó... bye, bye brechó... atchin!

Twin Peaks
O pobre, o rico, o branco, o negro, o gato, o pato, o cão, o lagarto... e lá vamos nós atrás da micareta. Pra direita, pra esquerda, vai direito pra esquerda! No meio da multidão um urro – grito com voz de rojão:
_ There’s here! Quem matou Laura Palmer? – indagou o homem de bigode farto, pele vermelha, um bugre.
O cheiro de chiclete com banana, com um “quê” de pólvora e barro. Ecoava o silêncio na avenida beira-mar, misturado com o ronronar suave do amplificador valvulado, de posse do até minutos antes frenético guitarrista.
Mais ou menos quatro quarteirões de multidão e solidão. Eis que prosseguiu o nativo hindu:
_ Ué!? Aqui ninguém vê Twin Peaks!?
O povo todo em desaprovação:
_ AAAAHHHH!!!!!!!!
O bugre:
_ Busca no google!

Bossa Cocô

Freiamento aXícarado
Adianto picolé
Olé, odé, axé
Tomando narrrguilé

Chutamento enluarado
Chulé de canção
Chacrete mansão
honerosa mensão da Pelé

Chiclé do capim
Melancia da aipim
Meteoro de água
Bebe por mim

Caneta mirim
Sacada careca
Dinheiro boneca
Carro cozido

CotoBelo lambido
Rim de feijão
Cabo de botão
Merdão violão

terça-feira, 29 de abril de 2008

As 7 maravilhas do mundo ou as 7 melhores campanhas?


Aproximadamente 100 milhões de pessoas de todo o mundo votaram em 2007, em pesquisa online e por telefone (http://www.new7wonders.com), para escolher as novas sete maravilhas do mundo, em uma das maiores pesquisas mundiais já realizadas. Mas uma questão nos faz refletir se essas novas maravilhas eleitas pelo site, podem ser consideradas as novas maravilhas do mundo moderno: 7 maravilhas do mundo ou as 7 melhores campanhas?

Podemos levar em conta alguns fatores:
Tudo relacionado ao cristianismo vende e atrai público.
A "batalha" de monumentos naturais Vs "Mão do homem".
Aspectos culturais, étnicos e, ou simbólicos.
Eleger uma maravilha que não traga retorno financeiro.

Não podemos desprezar o fato de que o orgulho nacional é um forte elemento para a popularidade do concurso.
Políticos aproveitaram a oportunidade para promover seus monumentos nacionais com a esperança de melhorar a imagem de seus países e incentivar o turismo. Abaixo os vencedores:
Apesar de não trazer consigo vestígios da cultura genuinamente brasileira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a abraçar a estátua do Cristo Redentor (idealizada e construída por um artista francês), depois de usar seu programa semanal no rádio para passar instruções de como votar no monumento.
O governo do Peru incentivou a população a votar pelas ruínas da cidade inca de Machu Picchu e forneceu terminais de computador gratuitos. No México, latas de Coca-Cola trazem propagandas pedindo o voto pelas ruínas maias de Chichen Itza.
Estudantes em algumas escolas e universidades da China fazem campanha pela Grande Muralha. E na Jordânia, a família real faz lobby pela cidade de Petra, no deserto.
Além dos acima citados estão o Taj Mahal, na Índia, o Coliseu de Roma, a Torre Eiffel de Paris.

Bingo!
Venceram as melhores campanhas, os lugares mais "pops", lugares onde o turismo vende.
Enterram-se cada vez mais os livros de história, as misteriosas estátuas da Ilha de Páscoa (distânte, não atrai turismo), a Aurora boreal, na região polar do planeta, o Monte Everest, na divisa entre Nepal e China, o Eurotúnel, a Ponte Golden Gate, Kremlin e Praça Vermelha (Moscou, Rússia), Stonehenge (Amesbury, Reino Unido), a Acrópole de Atenas (450 – 330 a.C., Atenas, Grécia), e milhares de outras Maravilhas, que vão lentamente, sendo soterradas pela indústria do entretenimento.